Todos os anos, do início de maio ao final de junho, acontece em Bombinhas uma das práticas culturais mais antigas e populares do litoral catarinense: a pesca artesanal da tainha. O ofício é uma tradição de origem indígena que recebeu a influência dos primeiros açorianos que chegaram à região.
Durante esse período, os pescadores locais estão autorizados a posicionarem suas canoas típicas nas areias das praias e manterem a atenção fixa no mar. Afinal, a qualquer sinal da chegada dos cardumes, tem início o cerco à aglomeração dos peixes.
Considerada um verdadeiro espetáculo, a atividade é responsável por aquecer a economia local. Para 2019, por exemplo, a estimativa é capturar cerca de 2 mil toneladas do produto em todo o estado de Santa Catarina.
Quer saber mais sobre o assunto? Então, continue a leitura e fique por dentro dessa fascinante exibição da natureza.

O que acontece na época da pesca artesanal da tainha?
A temporada de pesca artesanal da tainha começa, normalmente, um mês antes da liberação da modalidade industrial. A safra coincide com a chegada do frio, já que é nessa época que os peixes vão para a costa em busca de águas mais quentes.
Para incentivarem o ofício dos pescadores, muitas cidades catarinenses proíbem a prática de surfe, bodyboarding, vela e outros esportes nas praias da região. O mergulho, por sua vez, é liberado — as embarcações e os banhistas só precisam respeitar a distância mínima dos costões e da rebentação das ondas.
Nessa época, ocorre uma grande aproximação entre moradores, familiares e amigos, que se revezam nas vigílias diárias nas enseadas. É que muitas vezes elas se iniciam na madrugada e seguem durante o dia e até a noite. Essa observação sem intervalos da movimentação dos cardumes é fundamental para a ocorrência do cerco.
Após a captura dos peixes, o resultado é compartilhado entre as famílias dos pescadores e ajudantes, moradores e, até mesmo, entre turistas e visitantes que decidem auxiliar na puxada de rede.
Como funciona a pesca artesanal da tainha?
Populares em diversos lugares do mundo, as tainhas vivem próximas de recifes e costões rochosos, em manguezais e praias de areias, onde se alimentam de grandes quantidades de algas. Durante a migração reprodutiva, esses peixes entram nos estuários — ambientes aquáticos onde um rio se junta com o mar — e formam enormes cardumes.
Já as tainhas brasileiras têm moradia definida: a Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul. Com a chegada do mês de maio, elas saem naturalmente para a desova em todo o litoral da região Sul do país. Assim, os pescadores realizam cercos para capturarem os peixes e garantirem suas refeições — que, para muitos, é também a principal fonte de renda.
No entanto, é preciso contar com um planejamento para que esse processo seja bem-sucedido. Confira, a seguir, o funcionamento da pesca artesanal da tainha.
Preparativos
Já a partir do mês de abril, os pescadores realizam a manutenção das canoas, consertam as redes e providenciam os documentos para a atividade, já que é necessário obter uma licença para praticar o ofício.
É nessa época, também, que os participantes travam longas conversas para organizarem as operações e definirem as funções de cada um. O processo demanda ocupações específicas: desde os patrões que determinam a velocidade das remadas até os camaradas que ajudam a colocar a canoa na água.

Programação
A pesca artesanal da tainha em Bombinhas acontece de 1 de maio a 30 de junho. A abertura, realizada na praia de Bombas, é marcada por uma missa com participação de todos os envolvidos no processo da pesca, além de seus familiares e visitantes da cidade.
A celebração tem o objetivo de agradecer o ano anterior, abençoar e pedir fartura no cerco atual e, claro, promover a confraternização de todos os participantes e camaradas. A partir daí, os pescadores já podem se posicionar na praia e ficar à espera da chegada dos cardumes.
Razão para a grande quantidade de peixes
Como mencionado, a safra da tainha se dá justamente durante o seu período reprodutivo. Nessa época, depois de formarem imensos cardumes, os peixes saem dos estuários e migram ao longo da costa para fazerem a desova no mar.
Devido a essa característica de formação de densos cardumes, as tainhas se tornam muito vulneráveis às frotas pesqueiras, especialmente aos pescadores artesanais que realizam a captura por meio do arremesso de redes — é por isso que a espécie é apanhada em grandes quantidades.
Sinal para início das atividades
Depois de tudo preparado para o início da pesca artesanal da tainha, é preciso aguardar o momento exato em que os peixes chegam às praias. Para o fenômeno não passar batido, vigias ficam posicionados estrategicamente nas orlas para observarem a chegada dos cardumes.
Ao verem a aproximação do bando, os olheiros precisam avisar os pescadores para que estes possam colocar suas embarcações imediatamente no mar. Em seguida, é realizado o cerco aos cardumes e o trabalho passa a ser apenas o arrasto das redes cheias para a praia.

Posição das canoas e redes
Logo que a modalidade começa, os pescadores colocam suas redes no barco e deixam tudo pronto para a chegada dos cardumes. Para facilitar o deslocamento, as canoas devem ficar posicionadas na areia, à beira do mar.
Ao receberem o sinal dos vigias, os pescadores e ajudantes empurram as embarcações para a água e remam em direção aos peixes. Aí, basta jogar as redes sobre os cardumes, trazê-los para o barco e, depois, contemplar a riqueza dos elementos capturados.
Como a pesca artesanal da tainha influencia a economia de Bombinhas?
A prática é responsável por manter viva uma das tradições mais antigas e importantes da cidade. Independentemente de a safra de peixe ser farta ou não, os moradores e as famílias dos pescadores continuam com o costume de ficarem na praia desde antes de o sol nascer até o momento em que ele se põe.
Mas é interessante ressaltar outros impactos dessa atividade no município de Bombinhas. A questão é que ela atrai inúmeros turistas, que visitam a região com o propósito de contemplarem esse emocionante espetáculo.
A gastronomia local, repleta de peixes frescos e frutos do mar de qualidade, também é beneficiada pela pesca artesanal da tainha. Muitos restaurantes utilizam o produto como matéria-prima para a elaboração de pratos saborosos como a caldeirada, o caviar e a própria tainha recheada.
A pesca artesanal da tainha é um verdadeiro espetáculo da natureza e ainda aquece a economia de diversos municípios do litoral catarinense, em especial, Bombinhas. Não é à toa que o evento é um de seus principais atrativos. Impossível não se encantar!
Lembra que nós citamos a culinária dessa cidade? Então, que tal saber onde comer bem quando fizer uma visita? Conheça as 5 melhores opções de restaurantes e bares para ir em Bombinhas.
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